Do OC – Com 90% de probabilidade de ocorrer já nos próximos meses, trazendo consigo a ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas partes do globo, o El Niño precisa ser tratado como um alerta climático urgente, afirmou nesta terça-feira (2) a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Em nova atualização sobre o fenômeno, a OMM informou que há 80% de probabilidade de ele se estabelecer entre junho e agosto, com chances próximas ou superiores a 90% de ele persistir até pelo menos novembro. 

Isto é, a previsão é que o mundo tenha que enfrentar ao menos cinco meses de altas temperaturas, com risco aumentado de estresse térmico e de desenvolvimento de condições climáticas extremas, como secas severas e intensa precipitação.

“As condições climáticas adversas colocarão mais lenha na fogueira de um mundo em aquecimento. Os impactos serão ainda mais fortes, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. A única resposta eficaz é uma ação climática equivalente à crise – acabar com o vício em combustíveis fósseis, acelerar a transição para as renováveis, proteger os mais vulneráveis e fornecer sistemas de alerta precoce para todos.” disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua declaração em vídeo.  

Ainda há incertezas sobre a intensidade do fenômeno e o momento em que ele chegará a seu pico, mas, segundo a OMM, a maioria dos modelos de previsão sugere que o El Niño será, “no mínimo, moderado — e possivelmente forte”.

Apesar das dúvidas ainda existentes, a orientação da OMM é para que os países se preparem para o fenômeno de grande intensidade. 

“A comunidade da OMM monitorará atentamente as condições nos próximos meses para subsidiar a tomada de decisões por governos, agências humanitárias e setores sensíveis ao clima”, afirma a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. “Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar os impactos em nossas economias e comunidades”, completa.

O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) também enfatiza a necessidade de preparação para eventos extremos, mesmo sem a certeza de um El Niño muito forte. Em 19 de maio, o órgão enviou uma nota técnica ao governo federal com informações sobre os possíveis impactos no Brasil e recomendações de ação.

O que é o El Niño

O El Niño é marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais em partes do Pacífico equatorial. O fenômeno ocorre, em média, a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e doze meses.

Geralmente, começa a se desenvolver entre março e junho, atingindo o pico entre novembro e fevereiro. A OMM destaca que os impactos sobre as temperaturas globais tendem a ser mais intensos no segundo ano de desenvolvimento.

Os efeitos do El Niño variam conforme a intensidade, a duração, a época do ano em que ocorre, além da sua interação com outros fenômenos de variabilidade climática, como o Dipolo do Oceano Índico. Nem todas as regiões do mundo são afetadas e, mesmo dentro de uma mesma região, os impactos podem ser diferentes.

Em geral, o El Niño está associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, regiões do Chifre da África e Ásia Central. Já condições mais secas tendem a predominar na América Central, norte da América do Sul, Caribe, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.

A organização não utiliza o termo “super El Niño”, pois ele não faz parte das classificações operacionais padronizadas. Apesar de ainda não haver evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou a intensidade dos eventos de El Niño, as alterações no clima podem amplificar os impactos associados ao fenômeno, pois um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas.